“Como dizem que ela inventou?”: mãe defende filha após denúncia contra padrasto

“Como alguém pode afirmar que minha filha inventou tudo? Ela relata os acontecimentos com detalhes e diz que isso ocorreu muitas vezes ao longo de três anos”. O desabafo é de uma mãe que usou as redes sociais neste domingo (25) para relatar o que a filha, de 11 anos, teria sofrido durante o período em que conviveu com o padrasto, preso suspeito de abusar sexualmente de três crianças, em Campo Grande.

No vídeo, a mulher questiona comentários que colocaram em dúvida a denúncia após um exame pericial apontar que o hímen da menina não foi rompido. Segundo ela, o resultado não significa que os abusos não tenham ocorrido e não deve ser usado para desacreditar o relato da criança.

“Eu jamais inventaria uma história dessas. Sei que nós brigávamos muito e que não estamos mais juntos, mas nunca acusaria alguém de algo que não fez. Além disso, é minha filha, eu acredito no que ela me contou, e a amiga dela também presenciou situações”, afirmou.

Segundo a mãe, a menina contou que os abusos teriam começado três anos antes. Conforme o relato, o suspeito aproveitava os momentos em que a mulher dormia para se aproximar da criança e submetê-la a situações de natureza sexual.

A mãe também relatou que o homem chamava a menina para acompanhá-lo de carro. Na época, a criança dizia que iria com o pai, e a mulher acreditava que a decisão partia da própria filha. “Eu achava que ela ia porque queria. Nunca a obriguei a ir nem pedi que fosse. Era ele quem a chamava”, disse.

Conforme o depoimento divulgado pela mãe, o suspeito usava o pretexto de pedir massagens para ficar a sós com a menina. Nessas ocasiões, ele teria praticado atos sexuais com a criança e exigido que ela também realizasse atos com ele.

Segundo a mãe, a menina contou que sentia dores e o suspeito interrompia as ações quando isso acontecia. Ela também afirmou que a criança relatou outros detalhes dos episódios, que teriam se repetido ao longo dos anos.

Outro caso teria ocorrido quando a mãe estava em uma unidade de saúde com o filho, que sentia dores. Como precisavam buscar comida, a menina e o suspeito saíram para pegar um lanche e passaram pela residência para buscar um casaco para o garoto. Segundo a mulher, nesse momento, o homem teria voltado a submeter a enteada a atos sexuais.

A mãe afirmou que já havia levado a filha a um médico, que, segundo ela, identificou machucados e corrimento. Durante a perícia, porém, foi constatado que o hímen não estava rompido. A mulher também questionou a conduta do médico-legista, alegando que ele teria rido ao comentar o resultado e dito: “Poderia ser pior, né?”.

“Eu me perguntei como aquilo poderia ser considerado menos grave. O que minha filha relata já é extremamente grave, independentemente de ter havido rompimento”, declarou.

Ameaças e medo – Ao explicar por que a menina não teria contado antes o que acontecia, a mãe afirmou que, segundo a filha, o suspeito fazia ameaças contra ela e a família. Ele teria dito que mataria a mãe, o irmão da criança e também a si próprio. A mulher acredita que o medo e o vínculo afetivo com o padrasto contribuíram para que a menina permanecesse em silêncio.

A mãe contou ainda que, quando a polícia encontrou o suspeito, a criança começou a chorar e a gritar, demonstrando desespero.

“Meu pai, meu pai! A culpa é minha, por favor! Meu pai!”, teria dito a menina, conforme o relato da mulher, que afirmou que foi necessário acalmá-la.

Ainda segundo a mãe, enquanto o homem gritava e negava as acusações, a menina confirmou aos policiais o que havia contado anteriormente. Ela teria dito que o amava e o considerava seu pai, mas reafirmou as acusações.

Ao Campo Grande News, a mãe contou, na manhã desta segunda-feira (26), que o suspeito era uma pessoa querida por quem convivia com ele, o que, segundo ela, tornava difícil imaginar que pudesse cometer os abusos relatados pela filha.

“Era uma pessoa de quem todo mundo gostava, em quem todos confiavam e de quem falavam muito bem. Como eu não percebi? As crianças gostavam dele, inclusive minha filha. Quando ele foi preso, ela entrou em pânico”, relatou.

Para a mulher, a proximidade do suspeito com as crianças pode dificultar que possíveis vítimas contem o que aconteceu, principalmente pelo receio de não serem acreditadas. Ela afirmou que a filha levou três anos para revelar os episódios e que ainda tenta conversar com o filho, de 12 anos, para entender se ele também passou por alguma situação semelhante.

“Tentei conversar com meu filho também, mas ele ainda não me falou nada. Vou esperar mais um pouco, porque acredito que, para os meninos, pode ser mais difícil falar sobre isso”, disse.

A mãe também afirmou que o suspeito vendia bebidas alcoólicas a adolescentes na conveniência onde é dono. Segundo ela, chegou a questioná-lo por vender bebidas a menores de idade, inclusive a garotos de 13 anos.

Ao final do vídeo, a mãe afirmou que decidiu tornar o relato público porque não quer que a filha seja desacreditada pelo resultado do exame pericial. Ela reconheceu que a exposição é dolorosa, mas disse que pretende continuar falando sobre o caso para que as declarações da criança sejam consideradas e investigadas.

“O que peço é que minha filha seja ouvida, que o relato dela seja tratado com seriedade e que os fatos sejam devidamente investigados”, concluiu.

Entenda – O suspeito foi preso no sábado (24), no Bairro Alves Pereira, em Campo Grande. Conforme o registro policial, além da enteada, de 11 anos, ele também teria tocado nas partes íntimas de uma menina de 10 anos e passado a mão nas nádegas do irmão da enteada, de 12 anos.

A Polícia Militar foi acionada após a menina contar à mãe sobre os abusos. O homem foi encaminhado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, onde o caso foi registrado. As três crianças seriam levadas a uma unidade de saúde para atendimento especializado e procedimentos de prevenção a ISTs (infecções sexualmente transmissíveis).

As acusações serão apuradas pelas autoridades. A ausência de rompimento do hímen, isoladamente, não permite concluir que não houve violência sexual.

campograndenews

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