Justiça reverte liberdade e ex-diretor é preso por desvios milionários no HRMS

Ex-diretor de licitações do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), Rehder dos Santos Barbosa foi preso nesta terça-feira (19) após a Justiça reverter a liberdade e determinar a prisão do réu, apontado como líder do esquema de desvios milionários no hospital.

O mandado foi cumprido pelo Gafip (Grupamento de Ação e Fiscalização Penitenciária) cerca de 1h depois do mandado de prisão ser expedido pela Justiça. Ele foi encaminhado para a Depac-Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Integrado de Polícia Especializada).

A defesa do réu, feita pelo advogado Juliano Umar, afirmou que vai se manifestar apenas nos autos do processo, que corre em segredo de Justiça, além de entrar com recurso. O profissional explicou que Rehder passará por audiência de custódia na quarta-feira (20) e deve ser encaminhado para o PTran (Presídio de Trânsito).

Rehder estava em liberdade desde o ano passado. Entretanto, conforme a defesa, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) entrou com recurso para reverter a decisão — o que foi acatado pela Justiça.

O ex-diretor foi condenado no ano passado por improbidade administrativa, com sanção de perda da função pública e pagamento de multa de cerca de R$ 351 mil. Além disso, ele responde por delitos de organização criminosa, peculato, corrupção passiva, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

Condenação
Em julho, sentença do juiz Ariovaldo Nantes Corrêa condenou o ex-diretor financeiro Aldenir Barbosa do Nascimento, o Guga (PSDB) — prefeito reeleito em Novo Horizonte do Sul —, e o ex-diretor de logística Rehder dos Santos Batista, a multas que somam R$ 351.439,73, além da perda da função pública.

No processo, a empresa Novo Ciclo Produtos e Equipamentos para Saúde LTDA (antiga Neoline) e os empresários Michela Ximenes Catellon e Luiz Antônio Moreira de Souza foram condenados a pagar multa de R$ 69.888,88, além da proibição de contratar com o poder público por oito anos.

‘Compras fake’
Rehder responde em pelo menos quatro ações por suspeita de desvios no HRMS. Em uma delas, de improbidade administrativa, o MPMS (Ministério Público de MS) aponta emissão fraudulenta de 45 notas fiscais simuladas, entre 2016 e 2019. A ação corre desde 2023.

Conforme a denúncia, Rehder agiu em conluio com três empresários de produtos hospitalares para fazer ‘compras fake’. Ou seja, adquiriam produtos que nunca chegaram ao hospital.

Para os promotores do MP, no período de 3 de novembro de 2016 a 16 de dezembro de 2019, em 38 ocasiões, Rehder desviou os R$ 12 milhões do HRMS. “[…] testando falsamente o recebimento, dissimulando a baixa, e propiciando pagamentos por produtos jamais entregues ao Hospital Regional”, diz trecho da denúncia.

Como o grupo desviava o dinheiro
De acordo com apuração do MP, Rehder autorizava a compra dos produtos e mandava seus subordinados atestarem o recebimento dos materiais que nunca chegaram.

Após isso, emitia ordens de pagamento para enviar o dinheiro aos empresários. Para tentar despistar os desvios do sistema, Rehder promovia a falsa ‘baixa’ dos itens.

O MP reforça que “formalmente oficiado, o Hospital Regional também destacou, após levantamento interno, que estes produtos jamais deram entrada naquele hospital público, e muito menos destinados ao uso dos pacientes”.

Por fim, pediu o bloqueio dos bens para garantir possível ressarcimento aos cofres públicos. Entretanto, o pedido já recebeu negativa da Justiça.

Fonte Midiamax

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