Mãe de bebê morto com suspeita de estupro diz que confiava no companheiro

A mãe do bebê de 1 ano e 8 meses que morreu com suspeita de estupro afirmou em depoimento à Polícia Civil que não percebeu sinais de agressão na criança antes do ocorrido. O caso aconteceu na última terça-feira (28), no Bairro Santa Luzia, em Campo Grande. O menino foi socorrido após broncoaspirar leite.

À polícia, a  mulher relatou que esteve com o filho na noite anterior e novamente na manhã do dia em que ele passou mal, mas disse não ter notado hematomas ou qualquer indício de violência.

Em depoimento, ela afirmou que saiu para trabalhar e deixou o bebê sob os cuidados do padrasto, rapaz de 23 anos. Ela contou que, até aquele momento, a criança aparentava estar bem.

Ao ser questionada sobre possíveis lesões, a mulher declarou que só tomou conhecimento dos hematomas após o atendimento médico, quando foi informada das marcas pelo corpo e indícios de violência sexual.

Ainda conforme o depoimento, ela disse que nunca presenciou agressões contra o filho e que confiava no companheiro.  “Sempre cuidou bem da criança”, diz.

A mãe também detalhou a rotina da casa, explicando que o companheiro ficava com o bebê durante parte do dia enquanto ela trabalhava. Questionada sobre episódios anteriores, negou qualquer histórico de violência ou situações suspeitas envolvendo a criança.

Padrasto 

O rapaz de 23 anos preso em flagrante pela suspeita de estupro de vulnerável e maus-tratos contra o bebê negou qualquer tipo de agressão. Segundo o interrogatório, ele confirmou que estava sozinho com a criança no momento do ocorrido.

Ao delegado, ele contou que o bebê teria ingerido leite pela manhã e, pouco tempo depois, começou a passar mal. De acordo com o depoimento, a criança teria apresentado sinais como fraqueza e ausência de reação, momento em que ele tentou socorrê-la, acionando ajuda.

O padrasto também declarou que chegou a dar banho no bebê antes de perceber a gravidade da situação e que, ao notar que ele não reagia, buscou auxílio.

Sobre os hematomas no corpo da criança, o rapaz contou que não sabia explicar a origem das marcas. Em seu relato, disse ter visto apenas uma mancha nas costas e alegou que outros ferimentos poderiam ter sido causados por quedas ou situações do dia a dia.

Ele negou ter praticado qualquer tipo de violência contra o bebê e também disse não ter presenciado agressões anteriormente. O casal passou por audiência de custódia nesta quinta-feira e ambos tiveram a prisão preventiva decretada.

 Caso

A ocorrência começou após o padrasto acionar o atendimento de emergência ao perceber que o bebê havia broncoaspirado o leite que estava tomando na mamadeira. O Samu e a Polícia Militar foram acionados. No local, os socorristas realizaram os primeiros procedimentos na criança.

Após manobras de reanimação, incluindo massagem cardíaca, o bebê foi estabilizado e encaminhado para a Santa Casa.

De acordo com o boletim de ocorrência, durante o atendimento emergencial, o médico do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) identificou lesões severas que indicavam que o bebê vinha sendo agredido continuamente, entre elas um hematoma extenso na região da cabeça que se estendia até a área dos olhos.

Segundo o padrasto, o ferimento teria sido causado durante uma queda no banheiro, no dia 27 de abril, mas o bebê não havia sido levado ao hospital e a família aplicou gelo na região. Além disso, havia marcas de cores diferentes nas costas do bebê, indicando ferimentos antigos.

Ainda nos exames emergenciais, os médicos constataram dilatação anal no menino e hematomas na base do pênis e em ambas as pernas. Em uma coberta que estava na casa, os policiais encontraram vestígios de sangue da criança, assim como na cama do casal.

Com isso, o padrasto e a mãe do menino foram encaminhados à DEPCA (Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente) onde foram presos em flagrante. O bebê morreu na madrugada desta quinta-feira (30) na Santa Casa.

Fonte: campograndenews

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