23 de outubro, o dia em que São Pedro do Apaporé deixou de existir

Os finais da década de 70 e início dos anos 80 foram marcados pelo fim do regime militar no Brasil, que teve início em 1.964, com a necessidade de colocar ordem no País.

No final da década de 70, Mato Grosso do Sul foi criado a partir de um decreto presidencial, sem consulta à população. Depois, já nos anos 80, também por uma decisão monocrática do então governador de Mato Grosso do Sul, Pedro Pedrossian, para atender à sua vaidade política, mudou o nome do então Distrito de Chapadão do Sul, para São Pedro do Apaporé. Uma homenagem a si mesmo, pela abertura da rodovia que ligou o Rio Apa, no sul do Estado ao Rio Aporé, em na divisa com o Estado de Goiás, em Chapadão do Sul, no seu governo.

Chapadão do Sul foi colonizado por gaúchos, paranaenses e catarinenses, que perceberam no Centro-Oeste brasileiro, uma imensa fronteira agrícola. Com isso, a pequena vila de Chapadão do Sul, antes ainda conhecida como Chapadão dos Gaúchos, rapidamente se desenvolveu.

Um dos grandes responsáveis pelo rápido desenvolvimento urbano e rural foi o gaúcho, aviador, Júlio Alves Martins, que investiu recursos próprios para alavancar a cidade. Ele foi o maior responsável pela criação do Distrito de Chapadão do Sul, tendo como município mãe Cassilândia.

Ainda no início dos anos 80, Chapadão do Sul começou a sonhar com a emancipação, ideia rejeitada politicamente pelo Prefeito de Cassilândia, Jair Boni Cogo, que passou a dificultar o processo, usando sua força política. Evidentemente o município gozava da expressiva arrecadação que Chapadão do Sul representava com as extensas lavouras de soja.

A resistência dos políticos não intimidou os valorosos gaúchos de Chapadão do Sul e foi criada a Comissão de Emancipação, presidida pelo médico, gaúcho, Dr. Paulo Batista e tendo como liderança para lhe auxiliar Júlio Alves Martins.

Mas o sonho estava além da emancipação, inconformados com o nome do Distrito (São Pedro do Apaporé), a luta visava também a volta de Chapadão do Sul, até que o projeto de emancipação e mudança de nome foi encaminhado à Câmara dos Deputados. Desta vez a o processo foi democrático, determinando o plebiscito no distrito, perguntando ao eleitor o sim ou não pela mudança do nome e pela emancipação.

Não foi fácil, movimentos políticos foram fortes e o sim pela “devolução” do nome Chapadão do Sul e o sim pela emancipação, venceu por apenas cinco votos, dando subsídio necessário para o projeto seguir na Câmara dos Deputados.

Restava para a Comissão de Emancipação, a pressão na Assembleia Legislativa, que recebeu uma grande comitiva de sul-chapadenses nos momentos decisivos da tramitação do projeto, que felizmente acabou senso aprovado.

No dia 23 de outubro de 1.987, também dia do aviador, o então Governador de Mato Grosso do Sul, Marcelo Miranda, voltando de Brasília, pousou no Aeroporto Júlio Martins com o Livro Ata pronto para ser assinado, com a Lei de Criação do Município de Chapadão do Sul. Preparado um almoço no Salão Paroquial, localizado na Rua Dez, esquina com a Rua Treze, no centro da cidade, Marcelo Miranda, que era de Paranaíba e eleito democraticamente governador, finalmente assinou a lei, que foi publicada no dia 27 de outubro de 1.987.

Um decreto municipal, em homenagem ao colonizador Júlio Alves Martins, comemora-se o aniversário do Município de Chapadão do Sul, o dia da assinatura da ata, que coincidiu com o Dia do Aviador, 23 de Outubro. Mas a homenagem ao dia em que a Lei nº 768 que criou o Município de Chapadão do Sul existe, é o nome inicial da praça central da cidade, 27 de Outubro, depois, em mais uma homenagem ao colonizador, mudou-se para Praça 23 de Outubro.

O incansável Júlio Alves Martins investiu também na divulgação de Chapadão do Sul e da sua história pessoal, que se confundem na saga de um homem que deixou registrado na história, a sua luta pelo desenvolvimento de Chapadão do Sul. Ele faleceu aos 91 anos de idade, no dia 13 de junho de 2020.

Fonte: Jovemsulnews

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