Tereza Cristina defende fundo garantidor para ‘socorrer’ produtores do endividamento

A senadora Tereza Cristina (Progressistas) defendeu a criação de um fundo garantidor para reestruturar o endividamento do setor agropecuário. A fala ocorreu durante a abertura da 60ª Expoagro, em Dourados.

A parlamentar alertou para a necessidade de R$ 170 bilhões para o adiamento de dívidas dos produtores rurais, motivada por uma crise que classificou como “tempestade perfeita”.

A empresários e produtores, Tereza apontou que a junção de juros elevados com a queda nos preços das commodities e a deficiência no sistema de seguro rural se colocam como os principais fatores de instabilidade para a próxima safra.

Tereza ainda destacou que busca no Senado Federal o avanço na tramitação do Projeto de Lei n° 5122/23, que propõe soluções para o passivo financeiro do campo.

A senadora informou que a relatoria da proposta foi entregue ao senador Renan Calheiros (MDB), visando facilitar o diálogo com o Poder Executivo.

Segundo a parlamentar, a medida é urgente, pois “o governo federal não tem dinheiro para resolver o problema do endividamento rural no país”, sendo essencial buscar fontes alternativas de recursos para evitar a “inflação de alimentos para o consumidor brasileiro”.

Sobre a execução orçamentária federal, a senadora criticou a atual gestão do seguro rural.

Ela informou que, do orçamento de R$ 1 bilhão previsto, apenas R$ 500 milhões foram disponibilizados, enquanto a demanda real do setor seria de R$ 6 bilhões.

Essa retração resultou em uma queda na área segurada no Brasil, que passou de 13 milhões para 3 milhões de hectares, segundo a congressista, que foi ministra de Agricultura e Pecuária na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A parlamentar afirmou que “o governo tem má vontade com o nosso setor” e ressaltou que a proposta governamental de R$ 86 bilhões para a categoria utiliza saldos não aplicados da safra anterior, sem representar aportes novos.

A dependência externa de insumos também foi citada como fator de risco para a soberania alimentar. Com mais de 90% dos fertilizantes importados de regiões em conflito, como Rússia e Ucrânia, o custo de produção tornou-se elevado diante da desvalorização da soja e do milho.

Tereza Cristina destacou que a crise pode interromper o ciclo de produtividade recorde do país.

“Nós temos juros que não cabem no bolso de quem produz”, declarou a senadora, reforçando que o problema é estruturante e exige uma resposta técnica imediata para impedir a insolvência de propriedades rurais.

Fonte Midiamax

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