Em resolução publicada no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande), a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) institui um protocolo de acesso para consultas relacionadas ao transplante hepático (fígado) na rede pública de saúde. A medida estabelece critérios clínicos, exames obrigatórios e regras para encaminhamento de pacientes com doenças graves do fígado.
O objetivo é padronizar o atendimento e facilitar o acesso de pacientes ao serviço especializado, especialmente nos casos em que há indicação de transplante, considerado o único tratamento curativo para doenças avançadas, como a cirrose hepática.
A cirrose consiste em uma condição crônica e irreversível, caracterizada pela substituição do tecido saudável do fígado por fibrose, o que compromete o funcionamento do órgão. Entre as principais causas estão o consumo excessivo de álcool, hepatites virais (B e C), gordura no fígado associada à obesidade e diabetes, além de doenças genéticas e metabólicas.
Nos estágios mais avançados, a doença pode provocar complicações graves, como acúmulo de líquido no abdômen (ascite), hemorragias digestivas, encefalopatia hepática, icterícia e até câncer de fígado.
Quem pode ser encaminhado
O protocolo define que pacientes entre 13 e 75 anos podem receber encaminhamento para avaliação de pré-transplante hepático. Entre os principais critérios estão:
- Cirrose descompensada com complicações clínicas;
- Ascite de difícil controle;
- Câncer de fígado dentro dos critérios para transplante;
- Piora progressiva da função hepática;
- Encefalopatia hepática recorrente;
- Hemorragias digestivas frequentes;
- Síndromes associadas, como hepatorrenal e hepatopulmonar;
- Doenças hepáticas crônicas com impacto significativo na qualidade de vida.
Pacientes com cirrose causada por álcool também podem ser encaminhados, desde que comprovem abstinência por pelo menos 30 dias.
Exames e informações obrigatórias
Para solicitar a consulta, o médico deverá apresentar um resumo do histórico clínico do paciente, exame físico, comorbidades, medicamentos em uso e exames complementares.
Entre os exames exigidos estão ultrassom de abdome total (obrigatório) e tomografia ou ressonância (quando disponíveis). Além disso, é necessário um exame de imagem que comprove a presença de doença hepática crônica.
O protocolo também organiza o acompanhamento dos pacientes no pré-transplante; destinado a pacientes já inscritos na lista de transplante, com monitoramento clínico contínuo e pós-transplante; acompanhamento mensal no primeiro ano após a cirurgia e, a partir do segundo ano, a cada dois meses. Nesses casos, o atendimento deve ser solicitado por médicos de unidades habilitadas para a realização de transplantes.
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