A CPMI do INSS tenta, a duras penas, ouvir o empresário e advogado Cecílio Galvão, dono da Crédito e Mercado, empresa de consultoria que orientou o Instituto de Previdência de Fátima do Sul na aplicação de R$ 7 milhões em títulos podres do Banco Master.
O investimento foi feito em Letras Financeiras, sem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), colocando em risco 12% do patrimônio total dos aposentados e pensionistas da Cidade Favo de Mel.
Cecílio Galvão é procurado pela comissão que investiga fraudes aos beneficiários do INSS desde fevereiro, mas, após total ausência de manifestação, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), deliberou a condução coercitiva do investigado.
No domingo, 1º de março, o empresário comunicou ao Senado a recusa em prestar depoimentos aos integrantes da comissão, sob argumentos de sigilo profissional, em razão da atividade advocatícia, além de cobrar acesso aos documentos, requerer a dispensa do depoimento e ainda a anulação da condução coercitiva.
A presidência da CPMI indeferiu todos os pedidos, exceto o de acesso aos documentos ligados ao convocado.
“Há manifesto intuito protelatório do depoente e desrespeito às prerrogativas dessa comissão; assim, fica mantida a convocação do senhor Cecílio Galvão e a condução coercitiva para a próxima quinta-feira”, afirmou Carlos Viana na sessão realizada no dia 2 de março.
Entretanto, no dia 4 de março, o empresário obteve habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) que tornou sua convocação facultativa.
O primeiro requerimento para convocação de Cecíclio Galvão foi protocolado em outubro de 2025.
No documento, a justificativa do deputado Rogério Correia, do PT-RS, considerou que reportagens apontaram o advogado como procurador de uma aposentada residente em Taguatinga (DF) para atuar em nome
da Unibap (União Brasileira de Aposentados da Previdência).
“Em matéria veiculada em 24 de novembro de 2025, foi revelado que o empresário/advogado recebeu aproximadamente R$ 4 milhões provenientes de associações suspeitas de participação na Farra do INSS”, destaca o requerimento de convocação de Cecílio.
Compra de ‘títulos podres’ em Fátima do Sul
Ao Jornal Midiamax, a presidente do Iprefsul (Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de Fátima do Sul), Claudete Rodrigues dos Santos, afirmou que a iniciativa para aplicar o dinheiro dos aposentados e pensionistas do município ocorreu em junho de 2024, quando consultores da Crédito e Mercado, contratados há mais de 10 anos para orientar os investimentos da autarquia, ‘venderam’ as vantagens do negócio.
Ela reconheceu que os riscos da operação foram apresentados, havendo consciência sobre as fragilidades dos investimentos milionários. “O risco era bem baixo. Aqueles riscos que sempre acontecem quando a gente está falando de investimento. É aquele risco normal que a gente já conhece, mas nada tão grave”, afirmou.
Claudete não soube apontar quais estratégias devem garantir a segurança do investimento milionário, nem mesmo como o rombo nas contas dos aposentados e pensionistas da previdência pública de Fátima do Sul será recomposto.
“Eu sei que eu sou a presidente daqui. É meu CPF. Mas [a responsabilidade] cabe a todos, porque o consentimento, a resposta final, não foi só minha. Foi de todos que estavam todos envolvidos”, disse ao ser questionada sobre a própria responsabilidade na transação.
Ela não soube pontuar quais responsabilizações devem ser atribuídas à Consultora Crédito e Mercado, uma vez que esta teria sido a incentivadora dos investimentos.
A gestora da previdência municipal da Cidade Favo de Mel ainda quer convencer de que o rombo milionário não deve afetar as contas, apontando que este é um problema a ser resolvido no longo prazo.
“Não vai impactar agora. Quem sabe lá pra frente, porque ele corresponde a 12% do nosso patrimônio. Nosso equilíbrio atuarial está ok. Nós somos superavitados, entendeu? Nós temos poucos aposentados, não temos muito. Eu não digo para você que [o superávit] ameniza, que não vai fazer falta nesse sentido, mas eu falo assim, para o momento que nós estamos, não vai fazer tanta falta”, afirmou.
Nesta semana, o Iprefsul deve se reunir com o Poder Executivo para discutir como a situação será resolvida. O prefeito Wagner Roberto Ponsiano (PSDB) não quis comentar a situação, limitando-se apenas a atribuir a responsabilidade ao instituto de previdência, que, apesar de autônomo administrativa e financeiramente, é ligado diretamente à gestão municipal.
A reportagem buscou manifestação da Crédito&Mercado; mas, até o fechamento da matéria, não obteve retorno.
midiamax
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