O réu João Augusto Borges, 25, foi ouvido durante a primeira audiência do duplo feminicídio que vitimou sua companheira, Vanessa Eugênia Medeiros, 23, e a filha, Sophie Eugênia, 10 meses. Em seu depoimento, João afirmou não ter problemas mentais, mas que perdeu a cabeça após um tapa de Vanessa.
“Olhar dele era de menosprezo pela própria filha”, diz ex-cunhada em depoimento
Apesar de alegar que o tapa de Vanessa o descontrolou, João admitiu que já tinha pensado em matar a companheira. Quando questionado se o tapa de fato o estressou tanto, o réu confirmou a premeditação.
“Eu tinha pensado, mas não estava querendo colocar em prática. Eu tava me segurando, mas o tapa foi a faísca”, disse. Ele confirmou que a ideia de matar a vítima e a filha já existia e que o tapa apenas o fez agir.
João Augusto alegou que não queria matar a filha, mas que foi um ato de descontrole. “Eu não tive controle, eu não queria matar ela, eu queria cuidar dela… mas eu não conseguia enxergar com amor”, disse. Ele negou que o motivo para o crime fosse o fato de não querer pagar pensão, contradizendo o depoimento que deu ao ser preso, em 27 de maio.
O réu contou que usou o colar de Vanessa para estrangulá-la, na frente da filha. Depois, “não teve controle do meu corpo” e também estrangulou a criança.
Após o crime, João levou os corpos das vítimas no porta-malas do carro para uma área no Indubrasil que, segundo ele, não conhecia. O objetivo, afirmou, era ocultar os corpos. Em seguida, o réu foi ao trabalho, onde pediu para ir a um posto de saúde por conta de uma mordida de Vanessa.
Depois, ele saiu do posto e foi à delegacia registrar o desaparecimento das vítimas. Ele confessou que a intenção era ocultar a autoria do crime. João disse que o assassinato, a ida ao trabalho, o curativo e a ocultação dos corpos aconteceram em um período de duas horas, e que, nesse tempo, “eu não consegui ter meu controle, eu estava reassistindo os meus atos”. O réu se recusou a responder a perguntas da promotoria, aceitando apenas as dos seus advogados.
O advogado de defesa de João Augusto tentou questionar o réu sobre um suposto perfil da vítima em um site de conteúdo íntimo. O juiz interrompeu a pergunta, considerando uma tentativa de revitimizar a vítima e sem relação com o crime.
Em seu depoimento, João negou ter planejado o assassinato. “Não, tinha pensado só no caso, mas não tinha intenção de fazer”, disse, contradizendo o que havia afirmado anteriormente.
João beijando a filha que matou esganada no dia 26 de maio (Foto: Reprodução)
O réu descreveu Vanessa como uma pessoa “amorosa, mas explosiva”, que “qualquer coisinha ela discutia”. Ele ainda contou que, no dia do crime, a vítima teria reclamado de ele ter esquecido de comprar algo no mercado, o que, para ele, era “motivo de discussão”.
João Augusto pediu perdão a Deus e às famílias das vítimas e afirmou não se recordar de ter matado a filha. “Quero pedir perdão a Deus, a família dela, a minha família, era a única e primeira neta de sangue, só desculpa”, disse.
Ele detalhou que Vanessa o mordeu na mão durante a briga para tentar impedi-lo, mas que não sentiu nada na hora, apenas viu a mordida depois. Ele disse que estava “nervoso, ela veio com discussão. Ela fui dar um beijo, ela me deu um tapa e me abraçou”. Sobre a filha, ele alegou que não se recorda do momento do assassinato: “Nada, só quando ela já estava do lado dela”, finalizou o réu.
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