Alvo de mandado de prisão preventiva durante a Operação Capolínea, Reinaldo Silva Farias, de 35 anos, apontado como suspeito de envolvimento no sequestro da filha de Gerson Palermo, passou por audiência de custódia na manhã deste sábado (17). A sessão aconteceu no Fórum de Campo Grande, por volta das 8h30.
Durante o procedimento, que contou com atendimento psicossocial, foi informado que Reinaldo é natural de Campo Grande, atua como perfurador de poço artesiano e reside em Jaraguari, distante 47 quilômetros da Capital. Ele ainda afirmou ter renda mensal de R$ 12 mil.
Laudo de exame de corpo de delito realizado pelo Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), apontou que o investigado apresenta lesão corporal decorrente de ação contundente. O documento oficial registra que “houve ofensa à integridade corporal por instrumento contundente, mas sem indícios de incapacidade habitual superior a 30 dias ou perigo de vida”.
No documento, consta que Reinaldo afirmou ter sido vítima de agressão física durante o cumprimento do mandado. O homem chegou ao Fórum por volta das 8h15 e saiu do local às 8h58. A sessão estava marcada para as 8h32.
Procurada pela reportagem, a advogada Herika Ratto, que faz a defesa de Reinaldo, afirmou que ainda não teve acesso aos autos do processo. Por essa razão, declarou que não vai se pronunciar sobre o caso no momento, pois ainda não conhece os detalhes da acusação, a real ligação e a suposta participação dele no esquema investigado.
Além da prisão preventiva, Reinaldo também estava com ordem judicial por condenação que transitou em julgado pelo crime de tráfico de drogas. O documento foi expedido pela 1ª Vara de Anastácio pela sentença de 8 anos e dois meses.
Segundo denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Reinaldo e mais dois homens foram pegos no dia 30 de maio de 2023 transportando 149 tabletes de drogas, totalizando 154 kg de cocaína, pela BR-262, em Anastácio, a 122 quilômetros de Campo Grande.
Operação – Deflagrada pela FICCO (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) na quinta-feira (15), a operação Capolínea investiga um grupo suspeito de negociar e transportar grandes quantidades de drogas a partir da Bolívia, utilizando cargas de minério como forma de ocultar os entorpecentes durante o trajeto.
Segundo as informações divulgadas sobre a operação, o grupo é investigado por envolvimento em negociações que somariam cerca de 24 toneladas de drogas. A apuração aponta que os criminosos usavam caminhões que transportavam minério de ferro para dissimular o deslocamento dos entorpecentes.
A investigação também identificou suspeitas de pagamento de propina a funcionários de uma empresa de mineração para facilitar a logística do esquema. A rota investigada envolve a região de fronteira entre a Bolívia e Corumbá, no oeste de Mato Grosso do Sul.
Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão, sendo 14 preventivos e sete temporários. Também foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 24 milhões em bens e valores. Cerca de 100 policiais participaram das diligências em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
Além de Reinaldo, aparecem nos documentos judiciais relacionados à operação os nomes de Gerson Palermo, Aguinaldo Baros Chalega, Wilson Antunes Chalega, Lídia Sosa Barja, João Luiz Ramires, Rodrigo de Souza Mattos Chalega, Paulo Jacinto dos Santos, Kleverson Galindo, Lenon de Araujo Rojas, Juan Jose Argote Fischer, Walex Reidner dos Santos Delgadinho, Matheus Prado de Azevedo e Sebastião da Silva.
Também constam nos mandados consultados os nomes de Osmar Lescano Andana, Alexandre Torres de Campos e Patrícia Garcia Pires.
Palermo é apontado como um dos principais nomes investigados. Ele já foi preso anteriormente por tráfico de drogas e voltou ao centro de uma investigação sobre logística de transporte de entorpecentes. A apuração atual indica uma mudança no método atribuído ao grupo, que teria deixado de depender principalmente de aeronaves e passado a utilizar o transporte terrestre em caminhões.
A investigação também cita um vigilante que atuava na Polícia Federal em Corumbá, suspeito de repassar informações e ajudar o grupo. A identidade dele não foi confirmada nos documentos consultados.
Wilson tem passagem por tráfico e teve o irmão, Pedro Antunes Chalega Filho, alvo da Operação Xadrez em 2017. A ação investigou crimes de peculato, falsidade documental e associação criminosa, num esquema com irregularidades na administração de cantinas de presídios, além de venda de pães e gelo clandestino.
Já Aguinaldo Baros Chalega foi preso em fevereiro deste ano na Bolívia. Ele é apontado como integrante do PCC e estava sendo procurado pela Justiça brasileira por tráfico internacional de drogas. O homem estava na lista da Interpol e foi capturado em Santa Cruz de La Sierra.
Sequestro – A suspeita de participação no sequestro da filha de Palermo foi noticiada anteriormente pelo Campo Grande News. Na ocasião, Reinaldo foi apontado como suspeito de intermediar contatos relacionados ao caso. A investigação teria reunido mensagens de celular e reconhecimento feito pela vítima.
O caso aconteceu em outubro de 2025. Na ocasião, a jovem de 25 anos saía do trabalho na região central de Campo Grande, quando Palermo ligou avisando que mandaria alguém para lhe entregar uma quantia em dinheiro para tratamento de saúde da avó. Quando o homem chegou, ela entrou no carro e foi sequestrada.
Dois homens estavam no carro e disseram, segundo boletim de ocorrência, que queriam receber dinheiro do “velho”, apelido dado a Gerson Palermo. Na sequência, a vítima foi levada ao cativeiro, um imóvel abandonado no Bairro Moreninha. Lá, foi torturada com agressões físicas e psicológicas.
Em fotos que os sequestradores chegaram a mandar ao marido da vítima, ela aparecia amarrada. Eles exigiam dinheiro em troca da libertação e faziam ameaças de morte. O marido da jovem foi quem avisou equipe da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros), que passou a investigar o caso.
Palermo chegou a falar com o avô materno da vítima em ligação na qual o genro, marido da vítima, também estava presente. Gerson afirmava que não iria acontecer nada com a filha caso “devolvessem o dinheiro”. Também afirmou que estava sendo ameaçado e que todos iriam “morrer por causa desse dinheiro”.
Durante as diligências da polícia, a jovem foi libertada no Bairro Moreninha. Ela ligou de uma loja de conveniência para o marido, em resgate acompanhado pelo Garras. Aos policiais confirmou que o pai orquestrou o sequestro e que ele está escondido com a mãe dela na Bolívia.
Os sequestradores não saíram de mãos abanando. Levaram um iPhone 16 Pro Max da vítima e um MacBook. Como sabia que o pai havia orquestrado o sequestro, a jovem então avisou a mãe que não poderia ficar sem os aparelhos porque os usa para o trabalho. Os pais não sabiam que a filha já estava em conversa com a polícia.
A mãe, então, intermediou a devolução dos aparelhos em um açougue no Jardim Leblon. Os policiais também acompanharam esse momento e chegaram a um dos sequestradores, Reinaldo Silva de Farias, de 34 anos. A vítima o reconheceu, assim como mensagens encontradas no celular do suspeito demonstraram que era ele quem pedia o resgate ao marido da vítima.
Reinaldo foi preso em flagrante pelos crimes de extorsão mediante sequestro, posse de arma de fogo de uso restrito e ameaça, permanecendo à disposição da Justiça. A residência do cativeiro foi periciada, e as investigações continuam para identificar e prender os demais envolvidos, entre eles um possível integrante de facção criminosa foragido da Justiça.
campograndenews
You may also like
-
Sete cabeças de gado foram furtados em Paraíso das Águas
-
Corpo de Bombeiros de Chapadão do Sul realiza 2ª corrida de rua em dezembro
-
Jovens colocam a mão na massa no curso Chef Teen em Chapadão do Sul
-
Mãe de bebê internada com suspeita de maus-tratos é ouvida e liberada
-
Prefeitura amplia oportunidades de qualificação profissional em Chapadão do Sul com cursos em diferentes áreas

