Idosa vai parar na UTI após usar batom de R$ 1 vendido no Centro em Campo Grande

Uma idosa de 60 anos ficou internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de um hospital, neste fim de semana, após usar um batom vendido por R$ 1 no Centro de Campo Grande. O caso ocorreu na tarde do último sábado (18), quando a idosa fazia um passeio com sua irmã pela Capital.

Ela relata que pegou um ‘batom mágico’ — de cor verde, mas que muda a tonalidade para rosa quando aplicado sobre a pele — e testou em sua mão. No entanto, como não era o que queria, devolveu o produto à prateleira. Em seguida, ela levou a mão ao rosto para arrumar o cabelo, quando teria resvalado em seu olho.

A partir desse momento, ela começou a ter reações ao produto. Seu olho começou a inchar, o que foi percebido por sua irmã. Depois de saírem da loja e andarem alguns metros, a idosa começou a passar mal, com alteração na pressão e na diabetes, além de falta de ar.

Ela foi levada por sua filha a um hospital, onde recebeu diversas injeções e medicamentos. A idosa permaneceu internada na UTI durante o fim de semana, sendo liberada apenas na manhã desta segunda-feira (20).

Ao Jornal Midiamax, a senhora contou que não fez nada de diferente naquele dia e também não costuma comprar produtos de origem que não conhece. “Não como coisa da rua, tenho medo. [Não compro] nem perfume, só uso o que conheço”, explica.

Produto é vendido por R$ 1
A reportagem foi às ruas nesta segunda e identificou o ‘batom mágico’ sendo comercializado em uma loja do Centro por apenas R$ 1. Segundo uma vendedora do local, o produto “sai bastante” e é procurado, principalmente, por mulheres mais velhas.

Além disso, o batom seria fabricado no Paraguai e importado ao Brasil. A origem dos produtos é um dos principais pontos de atenção, segundo a dermatologista Morgana Boeno Volpato.

“Os produtos falsificados não passam por controle de qualidade como os originais. Portanto, não podemos identificar se existe algum componente tóxico, alergênico ou que seja nocivo à saúde da pele”, explica.

Para garantir a segurança, é necessário conferir se o produto tem aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que realiza diversos procedimentos para verificar a qualidade dos cosméticos. Embalagem, rótulo, consistência e cheiro podem ser alguns indicativos da procedência da maquiagem ou de outro produto.

‘Não conheço, não confio’
O Jornal Midiamax também foi ouvir a população quanto ao uso de produtos desconhecidos e potencialmente perigosos. A aposentada Maria José do Prado, de 70 anos, afirma que não compra aquilo que não conhece e, inclusive, já ouviu história semelhante à da idosa com o batom.

“Eu não compro do que eu não conheço, porque a pele da gente é sensível e precisamos nos cuidar. Já ouvi falar de gente que passou mal desse jeito, então, desde novinha, eu me cuido bem”, contou. Além disso, apesar do baixo custo, ela não costuma comprar produtos de origem paraguaia, dando preferência aos originais vendidos em farmácias.

Já a professora Cristina dos Santos, de 58 anos, diz que nem sempre o preço baixo é um indicativo ruim, desde que a pessoa confira a qualidade do produto. “Às vezes o preço é baixo, mas tem boa qualidade, basta estar atento ao que está comprando, pesquisar bastante”, diz. Ela conta que já comprou um perfume de marca conhecida, mas teve reação alérgica. “Então, parei de usar na hora. O que eu recomendo é tomar cuidado.”

A advogada Lineide Ribeiro dos Santos, de 50 anos, prefere apostar nas marcas mais famosas e desconfia quando o valor é muito baixo. “Eu só compro de marcas que conheço, acho que precisa ter o máximo de cuidado […] Você precisa conhecer a marca, qualidade, procedência. Eu acredito que até o valor precisamos observar, porque tudo tem um custo; então, um valor muito baixo gera desconfiança”, explica.

O que diz o Procon e a Vigilância Sanitária?
Em nota, o Procon afirmou que há necessidade de evitar produtos de procedência duvidosa e preço muito baixo. Confira na íntegra:

“O Procon de Mato Grosso do Sul, instituição vinculada à Sead (Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos), esclarece que a importação de maquiagem no Brasil é fiscalizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), estando sujeita à autorização sanitária e ao pagamento de tributos.

Produtos irregulares podem conter substâncias tóxicas, causar alergias, infecções e intoxicações graves. Nesse sentido, a recomendação é evitar itens vendidos por preços muito baixos e atentar quanto às informações presentes no rótulo, que deve estar obrigatoriamente em português e ter listada a composição exata do item, o número de lote, a validade, os dados do importador e o número de registro na Anvisa.

Consumidores podem denunciar a venda irregular de cosméticos por meio da Ouvidoria da Anvisa (https://www.gov.br/anvisa/pt-br/canais_atendimento/ouvidoria), assim como pelos canais de atendimento do Procon de Mato Grosso do Sul, a exemplo do Disque Denúncia 151 ou do site www.procon.ms.gov.br. Todos os processos são tratados em conformidade com a legislação vigente.”

Já a Vigilância Sanitária de Campo Grande informa que não foi notificada do caso citado. “A fiscalização de produtos cosméticos comercializados no município é realizada pela Vigilância Sanitária, principalmente a partir de demandas e denúncias da população”, diz nota da instituição.

Além disso, a Vigilância Sanitária afirma que “quando há suspeita de irregularidades envolvendo produtos de origem desconhecida, sem registro ou comercializados de forma inadequada, a equipe realiza a apuração e adota as medidas cabíveis. Denúncias podem ser registradas pelo sistema G-VIS VisaCGMS, pela Ouvidoria SUS, pelos telefones (67) 3314-9955 ou 0800 314 9955, ou diretamente junto à Vigilância Sanitária”.

Fonte: Midiamax

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