Tarifaço de Trump exige atenção, mas pode abrir oportunidades, diz especialista

Os governos e a economia mundial ainda estão processando o tarifaço sobre importações anunciado ontem pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como reciprocidade no comércio exterior e, ao mesmo tempo em que geram análises cautelosas sobre eventuais prejuízos podem sinalizar como surgimento de oportunidades no tabuleiro das relações globais entre países. O professor universitário e consultor em comércio exterior Aldo Barrigosse considera que é preciso estar preparado para “coisas piores”, mas também para “surfar em oportunidades”.

As relações comerciais sempre foram atingidas por medidas protecionistas, havendo diálogo e dosagem entre os países. Para Barrigosse, o que ocorreu foi uma dose elevada e que traz complexidade adicional porque envolve o mercado global. Trump anunciou uma sobretaxação para 40 países. Para China, por exemplo, será de 34%, União Europeia, de 20%. Brasil, Argentina, Colômbia e Austrália terão adicional de 10%. Para muitos analistas, o País acabou sendo poupado.

O Estados Unidos são o segundo principal destino de produtos sul-mato-grossense, somente atrás da China. Nos dois primeiros meses do ano, o acumulado foi de US$ 84.699.539 para o país norte-americano, enquanto para o asiático foi de US$ 577.145.914. Celulose, carne e soja lideraram as exportações sul-mato-grossenses para diferentes países.

Os principais produtos do Estado para os Estados Unidos são carnes bovinas congeladas, produtos relacionados à celulose, sebo, carnes salgas, couros, ovos, peixes, carnes resfriadas, farinhas e derivados, fécula de mandioca e óleos. De forma geral,

O Governo do Estado ainda não se posicionou sobre eventuais impactos na economia local, mas anteriormente, o governador Eduardo Riedel, já tinha se manifestado contra isolacionismo e defendido o multilateralismo. As medidas anunciadas pelo presidente têm como intenção fortalecer a indústria interna, com geração de emprego.

Barrigosse aponta que empresas norte-americanas instaladas em outros países vão acabar sendo afetadas e o ingresso de produtos mais caros no mercado vai acabar gerando inflação nos EUA, diante da sobretaxação.

Para o Estado, ele vê alguma preocupação com ferro, já que o Estado é grande produtor, em maciço na região de Corumbá, cm exploração de minério de ferro e manganês. O produto consta entre os principais exportados por Mato Grosso do Sul. O biocombustível também pode ser impactado, uma vez que os EUA também são grande produtor.

Essa preocupação foi externada pela senadora Tereza Cristina, que foi relatora do projeto que prevê a reciprocidade de taxas nas relações comerciais, aprovado no Congresso e apontado por ela como uma ferramenta, para deixar o Brasil “mais forte” caso precise negociar.

Por meio da assessoria, a senadora considerou precipitado ja avaliar os impactos da medida. “Esse é um momento de cautela. Antes de qualquer posicionamento definitivo, é fundamental entender o impacto dessas medidas sobre as exportações brasileiras e do MS, especialmente nos setores mais afetados”, disse. Tereza ainda apontou que essa “também pode ser uma oportunidade para buscar novos acordos comerciais e diversificar mercados. O mais importante é garantir que essas mudanças não gerem novos desequilíbrios econômicos que penalizem nossa população e agravem a inflação.”

Como alguns países enfrentaram taxações mais elevadas, o consultor vê oportunidade para produtos daqui ocuparem esse espaço na economia americana. Em outro giro, também podem surgir oportunidades para a chegada de produtos nos países que adotarão a reciprocidade para produtos americanos que Mato Grosso do Sul também comercializa, como a soja, a carne e o álcool, que tem ampliado a produção no Estado não só com o produto a partir da cana-de-açúcar, mas também do milho.

Pelo fato de o anúncio ainda estar muito recente, Barrigosse acredita que é questão de tempo para setores organizados, como indústria e agro, se articularem para defender seus mercados. As entidades locais – como em MS a Fiems e Famasul- vão acabar se unindo às nacionais para haver tratativas.

Para ele, os setores econômicos se comunicam e isso pode ter sido um fator que acabou contribuindo para o País ter recebido uma sobretaxa considerada reduzida diante de outros. Um fator que Barrigosse considera que pode ter sido dosado pelos Estados Unidos é que eles exportam muito mais do que compram do Brasil e poderiam ser prejudicados com a aplicação da reciprocidade e aumento da taxação para o ingresso de produtos aqui.

Fonte: CGnews

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