Com 32% de etanol na gasolina, MS impulsiona economia e Brasil reduz importações

A gasolina terá 32% de etanol anidro em sua composição pelos próximos seis meses, conforme deliberação do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). Para o setor produtivo e os postos de combustível de Mato Grosso do Sul, a medida foi aprovada. Já para os motoristas, a nova mistura não deve gerar efeitos diretos.

A medida é válida por 180 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a resolução permite que o Brasil deixe de importar 900 milhões de litros de gasolina por ano e considera a instabilidade do mercado internacional de petróleo e combustíveis.

Em agosto do ano passado, o percentual de etanol na gasolina subiu de 27% para 30%. Agora, o combustível fóssil ganha mais 2% de etanol. A mistura é chamada de E32 e considerada benéfica para Mato Grosso do Sul, porque o Estado é produtor de etanol de cana-de-açúcar e milho.

No entanto, o engenheiro Thiago de Souza Maciel Oliveira, professor do curso de Engenharia da Uniderp (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal), explica que a alteração não exige adaptações ao consumidor. Motoristas não devem perceber diferenças, principalmente em veículos flex. A autonomia pode até cair um pouco, mas os 2% de etanol dificilmente serão percebidos pelos usuários.

Menos autonomia?

O engenheiro ressalta que, para a maioria dos veículos flex e dos veículos a gasolina produzidos no mercado brasileiro, essa alteração é compatível com as especificações dos fabricantes e não exige adaptações. “Os veículos não flex, principalmente os modelos mais antigos, merecem um pouco mais de atenção. Embora a tendência seja de que a mudança não cause problemas”, explica.

O funcionamento do motor dificilmente será alterado na maioria dos automóveis, mas é importante observar o comportamento do veículo e seguir as recomendações do fabricante, alerta o especialista. Quanto à autonomia, a mudança faz diferença, mas será quase imperceptível.

“O etanol possui um poder calorífico menor que o da gasolina, ou seja, produz menos energia por litro. Assim, um aumento da mistura pode provocar uma pequena redução na autonomia, mas a diferença de 30% para 32% é muito pequena e dificilmente será percebida pelo motorista no uso diário”, explica o professor de engenharia.

Preço na bomba

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta terça-feira (14) que a elevação temporária da mistura de 32% do etanol na gasolina vai proporcionar uma redução de 3 centavos (R$ 0,03) no preço do combustível fóssil na bomba, considerando os dados disponíveis.

Para o professor Thiago de Souza Maciel Oliveira, o impacto no preço depende do custo de produção do etanol e da gasolina no momento. “Se o etanol estiver mais barato que a gasolina, existe a possibilidade de uma redução ou de menos pressão de alta nos preços da gasolina. Entretanto, fatores como petróleo, câmbio, impostos e custos de distribuição também influenciam o preço final”, explica.

O Sinpetro-MS (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul) concorda que o combustível deve, ao menos, sofrer menor pressão de alta, desde que o etanol permaneça competitivo em relação à gasolina. “O impacto efetivo nos preços dependerá das condições de mercado, dos custos de produção e da competitividade do etanol nos próximos meses”.

Como escolher?

Para saber o que compensa mais, basta comparar o preço dos dois combustíveis. “O etanol compensa quando seu preço é de até 70% do valor da gasolina. Isso porque, em média, um veículo abastecido com etanol percorre cerca de 70% da distância que percorreria com a mesma quantidade de gasolina”, detalha Thiago.

Assim, basta multiplicar o preço da gasolina por 0,7. Se o etanol for mais barato que o resultado, ele será a opção mais econômica.

Benefício ambiental e comercial

Do ponto de vista ambiental, a maior participação do etanol na gasolina é positiva, segundo o especialista. A mistura contribui para reduzir a dependência do petróleo e pode diminuir a emissão líquida de CO₂ (dióxido de carbono).

“O etanol produzido a partir da cana-de-açúcar é considerado um combustível renovável e, ao longo do seu ciclo de produção, emite menos gases de efeito estufa do que a gasolina de origem fóssil”, explica Thiago de Souza Maciel Oliveira.

No entanto, o especialista alerta que é necessário ter cautela na produção de etanol. “A expansão da produção de etanol deve ocorrer de forma sustentável, respeitando critérios ambientais e evitando impactos como desmatamento, uso inadequado do solo e pressão sobre recursos hídricos”, conclui.

O Ministério de Minas e Energia considera que o principal avanço da nova mistura de gasolina e etanol é diminuir a dependência de importação de gasolina pelo Brasil, principalmente em meio aos conflitos no Oriente Médio.

Enquanto a nova mistura (E32) entra em vigor, o governo prossegue com estudos para verificar os efeitos de teores ainda mais elevados, como o E35, ou seja, 35% de etanol anidro misturado à gasolina, com foco na durabilidade dos componentes automotivos e nos efeitos da utilização do combustível no longo prazo.

MS é o 4º maior produtor de etanol

Para a Biosul (Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), a ampliação chega a um momento de expansão da produção e consolidação da integração entre o etanol de cana-de-açúcar e de milho no Estado, combinação que amplia a competitividade e a contribuição de MS para o abastecimento nacional.

Mato Grosso do Sul reúne um dos principais parques de bioenergia do Brasil, com 22 unidades em operação — 19 de cana-de-açúcar e três de milho, todas produtoras de etanol e bioeletricidade a partir da biomassa. O Estado é o 4° maior produtor nacional de cana-de-açúcar e etanol, o 2° maior produtor de etanol de milho e o 5° maior produtor de açúcar.

A Biosul afirma que o setor está presente em 42 municípios, com geração de cerca de 34,5 mil empregos e movimento de aproximadamente R$ 1,4 bilhão em salários, o que corresponde a 19% do PIB industrial sul-mato-grossense.

Fonte Midiamax

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