Investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) mostrou que o clã Jafar — alvo da Operação Gutenberg — tinha a nora, a estudante Rhayane Souza Fanaia, como uma laranja do esquema de fraude que desviou R$ 27 milhões em Mato Grosso do Sul.
O nome de Rhayane, nora de Rossana Paroschi Jafar, foi usado para abrir a Editora Avante, com sede em São Paulo e que fazia negócios milionários com prefeituras em MS. Todo o dinheiro era dividido entre os participantes do esquema — os valores eram decididos por Rossana, e a transferência era feita no banco pela nora.
Na última terça-feira (7), a operação prendeu a dentista e empresária Rossana Paroschi Jafar e seus filhos: a médica Olívia Paroschi Jafar, e o mais velho, Felipe Paroschi Jafar. O herdeiro do meio (e ex-marido de Rhayane), Giovanni Paroschi Jafar, está foragido. Já Rhayane teria sido presa em Abadiânia (GO).
Entre 2022 e 2023, a Editora Avante recebeu cerca de R$ 5 milhões de prefeituras de Mato Grosso do Sul. A operação do Gaeco tinha 16 alvos de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão. A Operação Gutenberg revelou esquema que desviou R$ 27 milhões em compras de livros didáticos em prefeituras do Estado.
Verdadeira dona da Avante
Para os investigadores, Rossana seria a verdadeira dona da Editora Avante (CNPJ nº 44.284.055/0001-46). A nora, inclusive, foi fotografada entrando na Clínica Ross (de propriedade de Rossana) e, segundo os investigadores, trabalhava no local.
Atuando como uma peoa no esquema, a estudante recebia uma ‘pequena porcentagem’ de toda a movimentação. Inclusive, ela não demonstrava nas redes sociais que atuava no ramo de editoras de livros, e sim com venda de roupas de brechó.
Por exemplo, em outubro de 2024, a Prefeitura de Douradina transferiu R$ 336.075,10 para a conta da Editora Avante. Em conversas no WhatsApp, Rhayane pede orientações a Rossana sobre o que fazer com o dinheiro.
Então, a nora (que teria se divorciado de Giovanni no ano passado) envia um comprovante de R$ 61.752,74 — que enviou ao consorte — à sogra. Entretanto, a orientação veio de um contato salvo como ‘Editora Avante’:
- R$ 10.700,02 para Rhayane;
- R$ 61.752,74 (mesmo valor enviado para o marido no dia anterior) para Superconteúdo (empresa de Heyder Bartz — foragido) e Rossana.
As centenas de páginas que esmiuçaram as conversas e transferências bancárias mostram que Rhayane ficava com uma pequena porcentagem do valor pago pelas prefeituras. Em todos os casos citados pelo Gaeco — com base nas quebras de sigilo telemático e bancário —, Rhayne pedia orientações a Rossana ou a Francisco Anízio dos Santos ao receber os valores.
Em uma das ocasiões, ela chega a questionar Rossana sobre Anízio. A estudante diz que Anízio sabe qual é a “sua agência bancária e seu gerente” — ainda questionando se pode ligar para ele diretamente.
Ostentação
Enquanto Rhayane recebia a menor parte da divisão, os que seriam os verdadeiros operadores ostentavam nas redes sociais com o dinheiro que seria do esquema milionário. Rossana, por exemplo, postava fotos em praias paradisíacas.
Além disso, Olívia se formou em Medicina recentemente em uma universidade particular de Campo Grande, onde as mensalidades podem chegar a R$ 14 mil — tudo podendo ser financiado com os valores dos desvios — e também ostentava viagens — inclusive internacionais — nas redes.

O Jornal Midiamax não conseguiu contato com a defesa da Rhayane. A defesa de Rossana foi acionada, mas, até esta publicação, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Operação Gutenberg
O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão, para desmantelar esquema que fazia da Central Estadual de Regulação um ‘balcão de negócios’.
Conforme balanço apresentado pelo MP ao Jornal Midiamax, foram cumpridos 14 mandados de prisão — e outros dois continuam em aberto, que são de dois empresários já considerados foragidos da Justiça.
Confira os presos na operação:
- Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica;
- Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
- Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul e filho de Rossana Jafar;
- Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
- Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde;
- Joatan Gomes Peixoto – empresário;
- Matheus Oliveira Peixoto – empresário;
- Francisco Anízio dos Santos – empresário;
- Douglas Henrique de Melo – empresário;
- Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas;
- Gabriel Taquino de Paula – advogado;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.
Outros dois investigados continuam foragidos. Um deles é Giovanni Paroschi Jafar, e o outro, o empresário Heyder Bartz. Segundo o MPGO (Ministério Público de Goiás), em Abadiânia, foram cumpridos 1 mandado de prisão preventiva — que seria de Rhayane — e 1 mandado de busca e apreensão.
A Operação Gutenberg visa combater organização criminosa acusada de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros crimes. O grupo agia em Campo Grande e tinha atuação espalhada em outras cidades do Estado.
O nome da operação, “Gutenberg”, faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros, cuja nobre missão contribuiu para a ampliação do conhecimento. No caso investigado, os livros constituem justamente o instrumento utilizado para dar aparência de legalidade ao esquema criminoso.
Fonte Midiamax
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