A economia brasileira começou 2026 em ritmo de crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 1,1% no primeiro trimestre em comparação aos últimos três meses de 2025 e alcançou R$ 3,3 trilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo IBGE. O desempenho foi sustentado pela força do agronegócio, pela recuperação dos investimentos e pelo aumento do consumo das famílias.
O resultado foi positivo nos três grandes setores da economia. A agropecuária liderou a expansão, com crescimento de 2%, seguida pela indústria, que avançou 1%, e pelos serviços, com alta de 0,5%. O desempenho do campo teve papel decisivo no trimestre, especialmente por causa da safra recorde de soja, beneficiada pela ampliação da área plantada e pelas condições climáticas favoráveis em grande parte do país.
Segundo o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes, a agropecuária foi o principal motor da economia no período, acompanhada pelo setor de mineração e por atividades de serviços.
Consumo das famílias volta a ganhar força
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1% em relação ao trimestre anterior, sinalizando maior movimentação da economia interna. Como esse componente representa a maior parcela do PIB, teve peso importante para o resultado positivo do período.
Outro destaque foi a retomada dos investimentos. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede investimentos em máquinas, equipamentos e construção, avançou 3,5% após uma queda registrada no fim de 2025. O consumo do governo também apresentou crescimento, embora em ritmo mais moderado, de 0,4%.
Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, a economia brasileira cresceu 1,8%, enquanto o acumulado dos últimos quatro trimestres registra expansão de 2%.
Serviços seguem como base da economia
Responsável por cerca de 70% da atividade econômica nacional, o setor de serviços manteve crescimento, embora mais moderado. As maiores altas foram registradas em informação e comunicação (2,4%), atividades imobiliárias (1,2%), comércio (0,6%) e administração pública (0,4%).
Já os segmentos de transporte, armazenagem e correios (-0,7%) e atividades financeiras (-0,6%) apresentaram retração no período.
Na indústria, os destaques positivos foram a extração mineral, com crescimento de 3,6%, impulsionada pela produção de petróleo e gás natural, e a construção civil, que avançou 2,9%.
Soja recorde ajuda a sustentar avanço
O desempenho da agropecuária teve como principal alicerce a soja, cuja produção deve crescer 4,8% em relação ao ano anterior, atingindo o maior volume da série histórica do IBGE. Em contrapartida, culturas importantes como milho (-2,5%) e arroz (-10,6%) registraram queda nas estimativas de produção e produtividade.
Os números reforçam o peso do agronegócio na economia brasileira e mostram que, mesmo diante de juros elevados e de um cenário internacional ainda marcado por incertezas, o setor rural continua sendo um dos principais sustentáculos do crescimento do país.
campograndenews
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