O ex-prefeito de Coronel Sapucaia, Rudi Paetzold (MDB), a filha dele, Adriane Paetzold, e outros 11 investigados foram alvo de operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) nesta terça-feira (31). O grupo é suspeito de envolvimento em um esquema de fraude em licitações e contratos públicos.
A ação foi realizada no município, a 396 quilômetros de Campo Grande, e resultou no cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão. Também foram impostas 13 medidas cautelares, entre elas a proibição de acesso à administração municipal, o impedimento de contato entre os investigados e o uso de tornozeleira eletrônica.
A Justiça ainda autorizou dois mandados de busca pessoal na casa de envolvidos e determinou a suspensão do exercício de função pública de dois dos investigados.
Batizada de “Mão Dupla”, a operação é a segunda fase da Operação Pretense, conduzida pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), com autorização do Tribunal de Justiça.
Além de Rudi Paetzold e Adriane Paetzold, também foram alvo das medidas as seguintes pessoas:
Adriel Celant Espindola (piloto de velocross)
José Rosan Espindola de Espindola (empresa Espíndola Transportes)
Alan Douglas Maciel (arquiteto e dono de construtora alvo da Pretense)
Kariony Celant Espíndola (arquiteta)
André de Assis Voginski (pregoeiro oficial do município)
Aparecida Janaina Lima Cavalcante (fiscal de contratos da gestão anterior)
Celso Ricardo Maciel Ferreira (ex-secretário de Infraestrutura)
Gislene Aparecida Micuinha Farias (servidora da prefeitura)
Jonathan Cavalheri (assessor especial de Rudi)
Karin Zarate Araújo (servidora que era da comissão permanente de licitação)
Willian dos Santos Barbosa (engenheiro concursado da prefeitura)
Desdobramentos – As diligências ocorreram em Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó. Em Ponta Porã, equipes do Gaeco e do Batalhão de Operações Policiais Especiais estiveram em um dos endereços alvos. Fotos divulgadas pela investigação mostram pilhas de dinheiro em espécie apreendidas durante a operação.
Segundo o MPMS, a investigação aponta suspeitas de fraude em processos licitatórios, peculato, corrupção passiva e pagamentos irregulares em contratos públicos, envolvendo agentes políticos, secretários e servidores municipais. O nome “Mão Dupla” faz referência ao bordão que teria sido utilizado nas tratativas ilegais: “Você me ajuda, que eu te ajudo”.
A atual prefeita, Niágara Kraievski, afirmou que a investigação não tem relação com a gestão atual e que os fatos apurados se referem a irregularidades de 2024, período em que a administração municipal era comandada por outro prefeito.
Origem – A primeira fase da Operação Pretense ocorreu em dezembro de 2024, quando foram cumpridos mandados na prefeitura e em empresas ligadas a um grupo familiar do município.
Na época, a investigação apontou que empresas de um mesmo grupo familiar firmaram contratos de R$ 27,6 milhões com a prefeitura entre 2020 e 2024, sendo R$ 20,7 milhões apenas com a A. D. M. Construtora, responsável pela obra hospitalar.
Conforme o MPMS, a empresa não possuía estrutura operacional, apesar de receber valores milionários, e havia indícios de uso de materiais reaproveitados e serviços de baixa qualidade.
Outra empresa ligada à família também faturou R$ 5,7 milhões no período, reforçando a suspeita de esquema para mascarar contratos e desviar recursos públicos.
campograndenews
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